27 de outubro de 2009

Posi


Presu-posição...
Sair de si andando
Antes que cair
É quebrar a cara
Antes de sair
Rolando
Asfalto
Morno
Frio
Pre(as)sunto são
De frente ou de lado
Proposto desgosto não.
Sair de si andando
Preso (a) (o) posto
Diz-posição...

24 de outubro de 2009

Fragmentos espa(r)sos de um dia chuvoso

Qdo a palavra é impulso ela pula na tela.

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Bilhete depois da noite:

Sou t'eu.

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Pelos(-)Poros

Qdo a palavra tem pêlos e roça faz cócegas.

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...nem mais uma palavra...

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Cair em si é quase tão desastroso quanto tropeçar, fora ser incabível...

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Os olhos dizem muito, hoje dou vivas às costas, sempre tão eloquentes

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Enganar-se:
Tapar os olhos para não ouvir as costas...
Pobre da nuca que fica no meio e não sabe de nada...

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Aprendi a olhar para o cima quando chove

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"e a leve impressão de que já vou tarde"

23 de outubro de 2009

Cantando...

É bom...
Às vezes se perder
Sem ter porque
Sem ter razão
É um dom...
Saber envaidecer
Por si
Saber mudar de tom..

(Los hermanos)

21 de outubro de 2009

Pelos(-)Poros

A frase evapora.. e então pode entrar pelos poros..

( p uma frase quase boa)

é só qndo evapora que a fala entra pelos poros

12 de outubro de 2009

O que importa mesmo em um texto? Uma palavra torta no meio da linha reta do falso pensamento. Não, percalço. O salto de extrair-se de algum espaço. Rechaço. Cansaço. Extravagâncias do ser de fato. Sem fato. Hiatos de pensamento. Pontos entre palavras, entre frases, entre poetas e pedaços. Pedaços de sonhos, de espaço. Pedaços de fome, de gente, de nomes. O que mesmo importa em um texto? Não lembro o nome, será que dei um nome? Não ser ele mesmo. Não ter que ter nome. Ter espaços. Em que importa mesmo o texto? Em não se fazer entender. Em ser ele mesmo. Sem ser. Em ter espaços. Em não ter tempo de se ler. O que importa em um mesmo texto? Desdizer o que disse sem precisar ser outro. Poder esquecer a fonte, o nome, o endereço. O mesmo, o que importa em um texto? Não ser ele mesmo e não ser outro. Esquecer o tempo, a fonte, o nome, o pré-texto. Ter estado em sua fronte, facínora de si. Em repetir-se sem sobressair. Mentir-se para si. O texto mesmo em que importa? Nãoestar nele o que importa.

11 de outubro de 2009

5 de outubro de 2009

na tempestade

tem peste pela metade.. a flexibilidade das árvores é espontânea..
depois vai tá tudo bagunçado.. vidro papel lixo folha bicho gente tudo revirado..
os prédios todos tomam banho.. e a rua inteira se pinga
a cor do céu não tem nome e é muita.. dá quase pra ver o vento.. o escuro quase assusta e o trovão assunta com o céu e com o chão...
mas o que me espanta mesmo é que essa agitação toda quase acalma a que tenho dentro..

1 de outubro de 2009

A palavra impossível



Não é impossivel e se o diz é que já o escondeu


Faz gritar aquele que não a suporta
Faz calar aquele que demasiadamente a respeita
Faz gemer aquele com quem não fala


Faz tagarelar o cotidiano todo
Faz rufar o asfalto esburacado
Faz girar a roda do carro estacionado
Faz êxtase nessa escrita sem sentido
Faz chover onde só chove
Faz molhar a esquina distante
Faz parar o poste
Faz sarar o porre (arraigá-lo)
E do gargalo que bebe, a palavra impossível tira o ar sem deixar o vácuo..