31 de dezembro de 2009

Fim... de quê?


Querido por que me pedes isso? Sabes que não te posso dar. Então é por isso, não é?
Queres um tempo? Sabes que não tenho... Que a vida prenhe não espera.. E que podes...
Amanhã querido, amanhã é depois de hoje.
E hoje estou aqui, cara a cara contigo...
E pro que não existe eu não ligo.. sabes onde estive contigo..
Depois?
Bem querido.. Depois é o agora do antes..
Não, não adianta.. Não consigo mesmo te entender.. Todos esses espaços vazios que crias.. Não posso.. São teus, não são meus, querido.
O que então quero de ti?
Nada que possas me dar... Não é isso querido? Afinal se pudesses, eu não quereria... A diferença é que te não o peço... Agora quero o pulso solto...
Ah querido.. Sei que não entendes o que digo.. Mas teu olhar não me rechaça, e isso querido.. Isso quase basta...
Mas sabe? O que eu quero mesmo eu nem posso te dizer..
Sei que conheces bem as portas, e as costas, e tudo que tem nisso... Não quero nada querido.. Só não quero mais ser só isso...
Cansei.. E sabes que sei que sabes que sei que sabes..
Então, o que resta é de onde começo...
E a ti querido digo o que não digo.

17 de dezembro de 2009

relatório





....a única coisa mais saudosista que narrar o passado é relatar o futuro...

14 de dezembro de 2009

REnoir


Já viram dois pêssegos depois do amor? A essas reproduções de Renoir, sejam fotos, lhes falta tudo.. só depois de ver um quadro pintado por ele é que se pode vê-lo. Sei que as reproduções nunca são lá grande coisa.. mas algumas perdem o próprio quadro. Em Renoir não é a luz que incide no quadro que permite vê-lo, é do quadro que sai a luz que exige que se o olhe.
forçando um pouco o nome do homem já diz.. sua RE produção poderia ser NOIR...

8 de dezembro de 2009

Enquete ato médico

Pois é, o senado tá fazendo uma enquete.. vejam só... do que eles chamam ipsis literis projeto PLS 268/02 (Ato Médico)


http://www.senado.gov.br/agencia/default.aspx?mob=0

malditos

estou no meio de um projeto, ou mais claramente, no meio da escrita de um projeto. isso pode ser entendido literalmente... há escritos por todos os lados e eu não sei bem onde estou... só que tenho que organizar isso de alguma forma. dar forma.. tem uma passagem de genet que geme:

“Não tentei procurar desculpas para eles. Nem justificações. Quis que eles tivessem direito às honras do Nome. Tal operação para mim não terá sido em vão. Já posso sentir sua eficácia. Ao embelezar o que vocês desprezam, eis que o meu espírito, cansado do jogo que consiste em nomear com um nome prestigioso o que transformou meu coração, recusa qualquer qualificativo. Os seres e as coisas, sem confundi-los, ele os aceita todos em sua idêntica nudez. Depois ele se recusa a vesti-los. E assim não quero mais escrever, morro para a Palavra. Todavia, faz alguns dias que os jornais me informam que o mundo está inquieto...”
~
me furto a embeleza-los.. tlvz por nao ter essa capacidade ou por nao ser mais preciso... o que me perturba é falar desse maldizer... como???

não encontrei ainda um lugar pra essa passagem (só de ida? ou um deitico qualquer)...
isso que diz-trata o que morre de amores por sabe-se lá o quê...
a genet... um eru-dito do dizer...

1 de dezembro de 2009

pade-ser

quem me diria o que fazer agora? acontece que tudo que se diz é balela.. acredito nisso? não sei.. se foi escrito tb pode ser balela.. mas assim não acredito em nada.. não, isso tb não.. um niilismo cego, crê em si? pois é, volto a Otelo.. que homem é esse? estrangeiro, O mouro..., então não há A mulher... somos pura lógica semsentido? sensação.. é Dalila quem não te conhece... os mitos são a organização do discurso do diz-curso do dizer... é fato... só pq é dito... e nisso está a/uma/alguma verdade... barrada... não toda.. não.. nunca toda... como uma mulher... não toda submetida.. não toda.. fálica... ah ser mulher.. eles apenas não sabem o que quer uma mulher.. ese(i)nterdito... diz o quê? não há como saber... só a rainha e o ministro sabiam o que estava escrito na carta... o que os leva ao caso... tão dispar.. de ter um... l'insuquesait... c'est quoi? queime diria o que fazer agora? l'amour est muet...

23 de novembro de 2009

palco vazio... marcas no chao.. vai e vem de cordas e sopros.. antes de tudo essa é uma ópera de sombras... ñ entendia ainda pq ñ se chamava Iago.. tlvz o grande traidor seja othelo.. ¿como saber? ¿em quem-que ele crê? aqui é tudo rápido já tenho que ir...

B.A.

21 de novembro de 2009

tenho pouco tempo.. uma festa vai começar por aqui.. o espaço é coletivo entonces alguns esperam... mas isso é ainda urgente.. Renoir abdus... Picasso antes e depois da guerra.. um pequeno fauno cujo rosta desvela toda floresta.. Manet.. bem ele é capaz de tirar a personagem da tela... isso tudo é absurdo..

B.A -

13 de novembro de 2009

Então


Não entendo, então, o que é antes o que depois..
Entende então?
O que fica ali no meio...
Antes, depois.. então...
É temporal então?
Ou é onda?
de onde vem então?
Tlvz devesse ter letra maiúscula então
E então ficaria mais claro,
Mas, então, quando?
Antes ou depois ou então?
Vai ver é um ente grande... então..
Ou então.. sei lá.. um tempo assincrônico..
em antes e em depois:
então

12 de novembro de 2009

http://curtadodia.blogspot.com/2007/10/cartas-da-me.html

..a tristeza do poeta é a solidão que passa..

amanhã nunca é tarde pq não é nada

e qdo tudo acaba não há mais que se desejar sorte


ah monotonia discreta.. o pássaro da noite não te espreita mas aquele que desabotoa não perde o tom da brincadeira...


.. a tristeza do pó - é - tá na solidão que passa...

6 de novembro de 2009

É pequeno tudo tão... se há encanto passageiro é que no meio.. é tudo estranho tão.. e no então sei não.. parece tudo demais demenos denão.. amanhã quem sabe? É tudo tão.. encrenca.. despenca a certidão tem validade que não é a morte.. vai entender.. é mesmo estranho tudo tão..

27 de outubro de 2009

Posi


Presu-posição...
Sair de si andando
Antes que cair
É quebrar a cara
Antes de sair
Rolando
Asfalto
Morno
Frio
Pre(as)sunto são
De frente ou de lado
Proposto desgosto não.
Sair de si andando
Preso (a) (o) posto
Diz-posição...

24 de outubro de 2009

Fragmentos espa(r)sos de um dia chuvoso

Qdo a palavra é impulso ela pula na tela.

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Bilhete depois da noite:

Sou t'eu.

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Pelos(-)Poros

Qdo a palavra tem pêlos e roça faz cócegas.

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...nem mais uma palavra...

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Cair em si é quase tão desastroso quanto tropeçar, fora ser incabível...

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Os olhos dizem muito, hoje dou vivas às costas, sempre tão eloquentes

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Enganar-se:
Tapar os olhos para não ouvir as costas...
Pobre da nuca que fica no meio e não sabe de nada...

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Aprendi a olhar para o cima quando chove

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"e a leve impressão de que já vou tarde"

23 de outubro de 2009

Cantando...

É bom...
Às vezes se perder
Sem ter porque
Sem ter razão
É um dom...
Saber envaidecer
Por si
Saber mudar de tom..

(Los hermanos)

21 de outubro de 2009

Pelos(-)Poros

A frase evapora.. e então pode entrar pelos poros..

( p uma frase quase boa)

é só qndo evapora que a fala entra pelos poros

12 de outubro de 2009

O que importa mesmo em um texto? Uma palavra torta no meio da linha reta do falso pensamento. Não, percalço. O salto de extrair-se de algum espaço. Rechaço. Cansaço. Extravagâncias do ser de fato. Sem fato. Hiatos de pensamento. Pontos entre palavras, entre frases, entre poetas e pedaços. Pedaços de sonhos, de espaço. Pedaços de fome, de gente, de nomes. O que mesmo importa em um texto? Não lembro o nome, será que dei um nome? Não ser ele mesmo. Não ter que ter nome. Ter espaços. Em que importa mesmo o texto? Em não se fazer entender. Em ser ele mesmo. Sem ser. Em ter espaços. Em não ter tempo de se ler. O que importa em um mesmo texto? Desdizer o que disse sem precisar ser outro. Poder esquecer a fonte, o nome, o endereço. O mesmo, o que importa em um texto? Não ser ele mesmo e não ser outro. Esquecer o tempo, a fonte, o nome, o pré-texto. Ter estado em sua fronte, facínora de si. Em repetir-se sem sobressair. Mentir-se para si. O texto mesmo em que importa? Nãoestar nele o que importa.

11 de outubro de 2009

5 de outubro de 2009

na tempestade

tem peste pela metade.. a flexibilidade das árvores é espontânea..
depois vai tá tudo bagunçado.. vidro papel lixo folha bicho gente tudo revirado..
os prédios todos tomam banho.. e a rua inteira se pinga
a cor do céu não tem nome e é muita.. dá quase pra ver o vento.. o escuro quase assusta e o trovão assunta com o céu e com o chão...
mas o que me espanta mesmo é que essa agitação toda quase acalma a que tenho dentro..

1 de outubro de 2009

A palavra impossível



Não é impossivel e se o diz é que já o escondeu


Faz gritar aquele que não a suporta
Faz calar aquele que demasiadamente a respeita
Faz gemer aquele com quem não fala


Faz tagarelar o cotidiano todo
Faz rufar o asfalto esburacado
Faz girar a roda do carro estacionado
Faz êxtase nessa escrita sem sentido
Faz chover onde só chove
Faz molhar a esquina distante
Faz parar o poste
Faz sarar o porre (arraigá-lo)
E do gargalo que bebe, a palavra impossível tira o ar sem deixar o vácuo..