22 de novembro de 2010

Não sei...
Mas acho que minha necessidade de literatura
ainda vai acabar
com as minha pretensões
acadêmicas.

17 de outubro de 2010

Tem um tempo não tem?
Em que agente esquece do que fez
Do que não fez
Não lembra

Não.. Lembra aquela vez?
Não
De novo não..

As vezes tem um tempo que vem
E que de repente bate como vento na gente

Vazio
Depois de um tempo
Parece tudo

Nem sei.. Mas, por esses tempos
Poucos foram não?
Por esses poucos tempos que foram nossos
Tem um apuro meu
Fiquei sem seguro
Nesses tempos que já não são

E agora me viro
Prapagar o que não foi

Se foi

30 de setembro de 2010

Nota

- Pô, manda notícias!

- Sabe?..  As notícias..  elas não me obedecem...

27 de setembro de 2010

José

E agora que eu quero agora o que não tem hora de não ter lugar..

13 de setembro de 2010

depois de um tempo
que se dá
ao tempo
que ele não espera
ao corpo
que se dá
e logo
depois de um tempo
aparece de novo
a carne
que do osso
escreve
o que não se-para
depois de um tempo
pára
de esperar
de novo
do novo
um novo
come-lo-ei
antes os depois
de um tempo
que não sei

21 de agosto de 2010

14 de agosto de 2010

Cavaleiro altivo,
espero que isto não te espante ou que te espante ainda mais..
que as nobres folhas caidas no outono..
pois que deste que não saímos
precioso covarde e gentil sono
sereno lago em que nos dispomos..
tiremos a água que poema nosso corpo
ao sair dele
 e ainda que no inverno
entrando
só as fontes não bastam pra trazer
o verão
insano
in-sono
em solo mundano.
há sempre cobras e lagartos e outros bixos tantos...

9 de agosto de 2010

Perdi a escrita... não que a tenha deixado na esquina...
Desser
Na esquina
Destar
 perdi a escrita que desfazia
A escrita
que asfixia

isso dela que tirava tudo de mim..
Perdi
A dias tem sido assim.. Nem os conto.. Os dias, eu..
Nem sei
Nem sabia
Mas também
Perdi
o que nem cheguei a não ter..

Procurar é tedioso.. Desisti...

Agora dou-me a inutilizar palavras..

É de que me sirvo, pra desentender a vida...

30 de julho de 2010

à vontade

sara vá que os tempos tão corridos que não
se pára.. se pra parar é preciso espera
mais um pouco que
agora não
cansaço..
agora não
descanso..
agora não
nem depois..
o sol se impõem.
E o tempo a chegar nele
Não se dipõe

Impõe
Prosódias..
A perfectibilidade do tempo sem
Assunto
Como ontem.. de tarde que era...
Sem tanto
Ah... chatices dessas
Que não calam a boca
De quem não fala
De nada
O tempo todo

Um porre
Ou um pequeno gole
De cachaça

Amanhã, não...
Sabe como é
Caiu da cadeira a vontade...

Detrás do pôr-do-sol não tem nada...
O que conta é a luz que faz... a cor e isso...
...Que o retorno não te estorve tanto quanto o entorno...

21 de julho de 2010

ele diz: paciência

a diz-paciência em que insisto.. é um soco no ombro do que precis..
ou é una tonteria.. um conto... em que caí... no poço...
da diz-paciência que pressinto.. antes de mim... paciência.. sem...
sucinto é o tempo que espero por fim..
não tenho jeitos pra isso.. nem praquilo..
na diz-confusão em que me encontro.. é tranquilo o barulho que a diz-pa-ciência faz...

14 de julho de 2010

Insisto no assusto...

palavras dissolvem...
dissolvem-si...
dissolvemim..
começo tlvz.. de fim..
é sempre fim, não é?
mas sempre... tem fim?
começo não encontro..
e.. tem algum fim? ou finalidade?
que idade tem o sempre?
e... desde quando?
sei lá.. palavras são assim enrascadas..
por mim...
dissolvem.. mas não apagam..
elas se dissolvem.. se desfazem...
quem as fez não há.. quem as usa não as tem...
palavras são asim.. inencontráveis.. e.. palavras são assim.. inevitáveis...
claro.. nem sempre...
escrevo assunto com s... que roubo do assim.. mas enfim.. palavras se prestam a isso... ouvidos e olhos é que tlvz não...

7 de julho de 2010

De olhar o céu

Tinha uma manhã cinza que por de lado se transpostava em rosa fogo... que depois de tudo... azul... na manhã tinha uma menina.. que olhava.. ali na calçada encardida sem desconfiar que era manhã tb.. a menina se pensava perdida... nem perguntei bugalhos.. ela olhava tanto.. não sei o nome da menina.. nem idades.... qndo me viu.. a menina nem de vergonha sentiu.. tlvz eu fosse tb manhã... então ela não estranhou.. só virou e se continuou menina... Descontinuo:  lembrei daí de outra menina que um dia perguntou pro pai desavisado:
"Pai qual o tamanho do céu?
"Ah o céu é muito muito grande"
aí silêncio que adultos nem entendem e já acham que a criança tenta entender.. sabe como é... então:
E como é que cabe aqui no meu olhinho?"

22 de junho de 2010

Ainda.... (h) a´ dizer:


Ainda.... (h)`a´ dizer:

ainda
        há imagens...

ainda
        há palavras...

palavras
            são escândalos..
                                    inencontráveis..
e ainda assim
                   ainda
                         hábismo


15 de junho de 2010

Palavras de matar palavras

Pior... ou  ainda..

cataclismo.. sem reticências..

amanhã é o hoje do ontem...

a roupa que o rei roeu ficou na varanda...

Ponto: não tem dimensão...
Ponte: por onde se passa
Pote: guarda cousas desvalidas

Dicionário: penitenciária de palavras
                         ou labirinto...

Se as letras se juntam.. isso não é verdade..
as que não tem sentido, juntas, palavras

vírgula: onde a palavra quebra-a-cara

o cobre do azul do céu de noite
o que cobre o azul do céu de hora

ora que pára a coisa que pinga o h

então, não é depois que tudo acaba...

o sentido de sempre a cada vez...

ser pior é ainda  um cataclismo sem reticências...
o que mata as palavras é o sentido que enfiamos na goela delas...

quero fazer uma coleção que não cole as palavras no que são..
é isso possível? creio que não...
mas pq parar na crença? no possível?
o que pinga pifa o que enferruja antes de amanhã ser ontem..
o que des-cobre não des-mente só dez-novo esconde o que parecido (h)a(-) via...
bobagens..

8 de junho de 2010

Palavras de matar imagens

Ainda não as encontrei... se alguém, por acaso, que de outro modo seria difícil, .. as encontrou e se desse encontro ficou algum resto.. se quiser contar um pouco.. um oco... um qualquer esboço.. tb.. lá isso se compartilha... deixa pra lá.. afinal só a falar...

30 de maio de 2010

Imagens de matar palavras

uma faca sem fio que pia...

o soluçar do sol no fim da tarde

o sonho de alguém depois que acorda..

a manhã.. hora de acordar.. rosada

o vento na noite que passa

árvore que enguia..

o canto do pássaro além da janela

um suspiro de criança

em algum lugar uma tocaia

os cantos da sala

o pó nos livros da estante

escrever errado

numa poça de nada..

26 de maio de 2010

'Poemas, um Tostão cada'....

"25/09/09 - 18h - Governo define prêmio para jogadores que venceram a Copa do Mundo; valor pode chegar a 465 mil reais


O Governo Federal  e a Associação dos Campeões Mundiais do Brasil negociam aposentadoria e indenização para os atletas da seleção que ganharam Copas do Mundo. O benefício valerá inicialmente aos ex-jogadores de 1958 e se estenderá, posteriormente, a quem atuou nos Mundiais de 1962, 1970, 1994 e 2002. Reunião na Casa Civil discutiu as cifras a serem pagas aos campeões. Inicialmente, o valor negociado para cada um gira em torno de mil salários mínimos, no caso da indenização (465 mil reais), e de dez salários mínimos (4.650 reais), o teto da Previdência, para a aposentadoria. A expectativa é que o anúncio da nova medida seja feito pelo governo na próxima semana.

O texto abaixo foi escrito por TOSTÃO, ex-jogador de futebol, comentarista esportivo, escritor e médico, e foi publicado em vários jornais do Brasil:


'Na semana passada, ao chegar de férias, soube, sem ainda saber detalhes, que o governo federal vai premiar, com um pouco mais de R$ 400 mil, cada um dos campeões do mundo, pelo Brasil, em todas as Copas.

Não há razão para isso. Podem tirar meu nome da lista, mesmo sabendo que preciso trabalhar durante anos para ganhar essa quantia.

O governo não pode distribuir dinheiro público. Se fosse assim, os campeões de outros esportes teriam o mesmo direito. E os atletas que não foram campeões do mundo, mas que lutaram da mesma forma? Além disso, todos os campeões foram premiados pelos títulos. Após a Copa de 1970, recebemos um bom dinheiro, de acordo com os valores de referência da época..

O que precisa ser feito pelo governo, CBF e clubes por onde atuaram esses atletas é ajudar os que passam por grandes dificuldades, além de criar e aprimorar leis de proteção aos jogadores e suas famílias, como pensões e aposentadorias.

É necessário ainda preparar os atletas em atividade para o futuro, para terem condições técnicas e emocionais de exercer outras atividades.

A vida é curta, e a dos atletas, mais ainda.

Alguns vão lembrar e criticar que recebi, junto com os campeões de 1970, um carro Fusca da prefeitura de São Paulo. Na época, o prefeito era Paulo Maluf. Se tivesse a consciência que tenho hoje, não aceitaria.
Tinha 23 anos, estava eufórico e achava que era uma grande homenagem.

Ainda bem que a justiça obrigou o prefeito a devolver aos cofres públicos, com o próprio dinheiro, o valor para a compra dos carros.

Não foi o único erro que cometi na vida. Sou apenas um cidadão que tenta ser justo e correto. É minha obrigação. '

Tostão"

24 de maio de 2010

Prova de proeficiência

Questão embolorada:

"Explique a questão"

Devo dizer que fiquei paralisada... não sei se se trata de astúcia ou de inapropriação...

põe eficiência....

19 de maio de 2010

Dia-logo sou...

Há toda essa coisa do dia e da noite... da luz e da sombra.. do escuro tlvz... do fogo e do gelo.. todas essas oposições ou posições..  enfim.. do homem e da mulher... do ser e do que nâo é...  e os efeitos.. e feitos disso tudo que não é tudo... e do que nisso não tem lugar, do que não tem como... do impossível.. e o que há?
abismo.. abismoemim que não te alcanço... que não te pertenço.. e que nisso não te esqueço... de que me esquento? das costas tuas nas minhas magras .. do braço teu que logo me aperta.. e de quando te vais minha pequena perda... na perna que manca da anca que anda com a perna que balança na escada que sobes... de novo.. que desces.. de novo.. esquecestes o isqueiro... a noite toda... de falar contigo contamino meu dia-logo contigo sou.... não penso... sim... sem ti tb... logo sou..  é disso que vivo... encontrar com o impossível..  que da dor que dá tiro o sumo pra raiar o dia... que tão logo sem que nada-possa fazer-nada..  se esvai... e da noite.. do que vem.. logo-depois... dia-logo contigo....

13 de maio de 2010

Ou-ver a música



Uma orquestra... Ou outra.. Enfim... Faz apresentações... Não há dança. Não há cenário figurado. Não há atores. Há palco. Há homens e mulheres carregados de instrumentos.. Cada um o seu... Fique bem claro.. E um lá com um pauzinho na mão. Esse, fica de costas. Sim, de costas para a platéia. Todos os outros lugares no palco estão voltados para ele. De forma que alguns, ficam de lado para a platéia. Principalmente os principais. Ok. Isso não importa. Ou importa... Que é que se passa em uma apresentação de orquestra? Mas há o palco, há os artistas. Há, também, é claro, o intervalo. Alguns preferem o intervalo, vão a apresentação esperando o intervalo.... etc.. Tem sempre aquele que sabe a hora de bater palmas, e aquele que erra. Há enfim, o bater palmas, intenso ou não. Mas.. Para o que se bate palmas? Os artistas, o maestro, o solista, os fraques, os instrumentos, não esses não é claro. O compositor, na maioria das vezes, já morreu a muito tempo. Tem uns que dizem que é só no silencio que se ouve o compositor... Mas nem na beira do mar a gente vê o som... Nem quando a gente lê.... Enfim.. Vamos ou-vir ou ou-ver eu ouvi( r ) ou vi?, tu ouve( r ) ou vê? A musica que a orquestra na nossa frente toca?
Isso é confusão só..
As vezes, o melhor é fechar os olhos.....

12 de maio de 2010

Concerto para violino

ok.. bem sobre orquestra.. claro que mozart já tinha feito um concerto em que ele maestro/músico tocava.. eu nunca tinha assistido... o maestro em questão faz alguns sinais com a cabeça enquanto toca seu violino... ahh ingenuidade... mas afinal.. violinos não tem conserto.... sempre ultrapassam palavras...

9 de maio de 2010

suspiro

é de tristeza que hoje me bate no peito mesmo...sem meio.. vazio de tudo mais... se fosse muito o que falo.. não seria nada o que penso.. então tlvz fosse mais simples... mas não tenho como dizer isso... nem o que sinto nem o que penso nem o que digo... parece que quer sair... de tanto que bate... como faço pra deixar sair? alguém sabe? alguém? não.. acho que não.. de qualquer jeito não posso esperar até que alguém me diga... então.. uma tristeza assim de quase choro.. quase riso.. quase saindo.. e ainda ali... aguda... esquecida.. tristeza  não sei de quê... quem me dera suspirar.. queime dera sus-pirar.... esquisitamente normal

5 de maio de 2010

numa apresentação de orquestra.. há as vezes um instante em que não se sabe mais se é o maestro que rege a orquestra ou a orquestra que faz com que os braços do maestro dancem...
é incerto...  a única coisa certa é que são textos que regem a todos... textos que só podem ser lidos pelos ouvidos daqueles que (ou)vê(e)m a orquestra.. não é nem o instrumento nem o músico quem lê... mas a platéia que muda assiste...

4 de maio de 2010

O x da questão



para-quedas.. para-raios... para-dentes... para-patos.. para-tantos.. para-poucos.. para-muitos.. para-outros.. para-que? pára-que? para-pera-pora-pura-pira... porra... pintaiba.. pronto-ário.. ponto esquecido na esquina.. o que faz? não espera o ônibus decerto..  de certo ponto.. discreto.. sem mais... não se pode falar, não é? então.. que se escreva.. para-que? para-quem? para-quedas.. para-raios.. para-outros tantos tontos como tu... publixarem...

28 de abril de 2010

Seduzir Deduzir

quem de flores trazes.. quem te fazes.. que em quem pisas.. sobes.. em teus olhos sonhos de flores cortadas e no sangue do céu que te circunda... não entendo ainda teu chapéu teu sapato novo.. meu espanto.. não entendo ainda... porque te olho tanto... sabes parar o mundo? e não te vejo.. é um segundo... quando chegares na minha cidade.. saberás me encontrar? quem seguras em teu queixo? que queixas espantas.. quem? tantas... mas precisas que te olhe eu? preciso eu que me olhes? preciso olhar-te? que olhar te atravessa? como te quedas assim? quantas quedas por ti?  é entardecer o que te circunda? ou amanhecer quando chegas de não sei onde.. quem és? quem sou quando me olhas? ou, onde estou quando te olho? que olho nos perpassa? a ti quadro a mim que aqui de graça...

26 de abril de 2010

2Destruindo silabas


de-pen-de de on-de se olha 





Sesperasse não escrevia

23 de abril de 2010

Ante(s)

sim, foi ontem.. e ontem, sim, já foi... e quando voltares e em volta olhares os dias serão outros teus prantos
o pano da cozinha estará em algum lixo ou terá sido recolhido em algum canto
amanhã... se pensares.. se pesar em ti o que te conta..
quando.. hoje... sonhastes
a trepidez do tempo
não tampe
que o momento estanque não volta
antes de mim
o que chegou
não fui eu..
e no momento em que fostes
não soube o que sou...
nem sei do que falo, nem sei do que escrevo
mas em mim o que de ti ficou não espero...
até que o furtivo nos encontre um perante o outro
ou quem sabe do lado...
que no antes não se chega...
nem de escada

22 de abril de 2010

demasiado-mente

Quem quer de quem quer aquilo que quer... quer-en-ci-ouse demasiadamente... e...

11 de abril de 2010

"Mais comment mettre ensemble ce qui aspire à l'infinitude et ce qui n'existe que dans l'instant ?" (Cristiana Fanelli )


para vuagem.. parabrisa do instante.. e no entanto.. ou sobretudo.. sem ponto.. nem morto.. nem mudo.. de significante em significante.. contra a gravidade.. não cai... de primeira...  página de livro que chama.. página de rosto.. no pé.. da da letra.. na orelha.. que não encurta.. no divã.. abismo.. absurdo.. para vuagem..

25 de março de 2010


E na lembrança que tinha fingia o antes, agora, se tudo se fosse esperar não ia pra casa de novo 
Deitar na laranjeira em flor de luz sem sol.. 



Quem diria? Tangia a elefantes....

21 de março de 2010

Diálogos com a língua

É preciso escrever a bobagem toda, pra ver se algo sobra que presta....



Se empresta a virgula errada a língua diz outra coisa que não diz nada....



A língua antes de ontem me disse que antes não dizia nada...., ao que perguntei e amanhã quando é que vai dizer? Ela saiu rindo da minha cara e eu não entendi nada....





Pare de escrever em mim o(h) imaterial e distante criatura... Tu que por mim crias esses diálogos contigo ao calar-te deixarias esse silêncio contig(u)o... quando te fores então é que não serei mais, eu, senhora sequer do meu bordão respondo ao conde porque falas em mim.. Não? Então.. Só não vá antes da hora que de me perturbares existo fora do que em mim insisto... Que te cales, logo, quando me deixares estarás já em alguma outra garganta que de saliva tanta trocará a voz que em mim te canta e te trocará em outras ate quqe acabe tudo e a dimensão do mundo mudo não será de um grão no universo surdo que não propaga som...

18 de março de 2010

Sintase a vontade (dois)

Se em tese tosses o que sentes..
O dormente em ti
Amanha já foi
Pro brejo 
Em que te mentes

Sintase a vontade

Quando pediste pra sentar ao meu lado.. ... a única reação que tive foi te deixar a vontade... pq a tristeza que tinhas me impedia outra... depois que sentastes a imagem que criaras desvaneceu e o sonho que me contastes virou cinza.. a sintaxe da tua palavra caída perdeu-se no meu colo distraído e no choro que vertestes tua ilusão fundida... agora, que me falas tão de longe o sono que deixastes rompe o instante e amanhã quando acordares o mudo de teu peito estará onde? não importa.. há tudo de belo no mundo mesmo o mais banal... o corriqueiro que não abre brechas a sintase que já se disse uma das mais belas... vai entender? há gosto pra tudo.. é só no sinta-se a vontade que te saúdo... 

16 de março de 2010

De onde vem


Gosto da noite porque nela os rumores são distantes e ainda que estrondosos nada dizem... Naquela noite em que saistes antes que eu dormisse eram no início incertos e depois claramente de jogo, havia um grupo, grande, de homens grandes que gritavam.. todos ao mesmo tempo, ininteligivel, poderia ter alguma noção do que os faz gritar tanto, bastava ligar o rádio e essa agitação que me dava ao ouvi-los tão agitados, sem que eu pudesse saber porque, se acalmaria....
mas acalmar não basta...

1 de março de 2010

Domingo no parque



Redenção, Porto Alegre 28.02.... Bem, quem é daqui já ouviu a história... alguns até estavam lá.. eu era uma desses... tranquila tomando chimas... falando bobagem... primeiro a estranhesa daqueles carros de policia passando de um lado pro outro... motos tb... mas não nos demos conta... depois tranquilo... até que...
Bom, pra quem não conhece a redenção é um parque no meio de porto alegre que fica cheio nos fins-de-semana.. principalmente no domingo, quando o brique anima mais o lugar.. crianças, cachorros, adolescentes, jovens, adultos, idosos... aproveitando o domingo.. o que ninguém parecia saber é que já fazia dois domingos que o parque era palco de brigas de ganges.. que marcavam os tais via orkut e que para aquele mais um estava marcado... bem.. dessa vez os adolescentes não queriam só socos e chutes... um morto, quatro feridos e milhares correndo... nunca tinha vivido nada assim... na multidão.. é interessante que a imprensa não até então não tinha divulgado as brigas, que a policia não tenha tido competência de prevenir a barbárie... agora a midia tá vendendo bem... a policia prendeu alguns "delinquentes"... e, quem volta à redenção?? qual o assunto? bem, eram ganges de bairros pobres.. a culpa é das familias violentas... da falta de projetos sociais... pra "eles" os violentos que mancham nossa sociedade... quer algo mais violento que uma sociedade em que as pessoas não tem emprego? os jovens não tem como estudar? as crianças vão pro meio da rua vender balas? quantos morrem no transito a cada dia? e nas favelas qndo a policia entra? "eles"... os "violentos"... se mataram no meio do parque... domingo... a policia nem precisa mais matá-los eles já se matam... e nós agora em pânico voltamos para trás de nossas paredes e grades e câmeras e seguranças e... cobardia....

27 de fevereiro de 2010

Florbela Espanca...

"ANGÚSTIA


Tortura do pensar! Triste lamento!

Quem nos dera calar a tua voz!

Quem nos dera cá dentro, muito a sós,

Estrangular a hidra num momento!


E não se quer pensar! ... e o pensamento

Sempre a morder-nos bem, dentro de nós ...

Querer apagar no céu – ó sonho atroz! –

O brilho duma estrela, com o vento! ...


E não se apaga, não ... nada se apaga!

Vem sempre rastejando como a vaga ...

Vem sempre perguntando: “O que te resta? ...”


Ah! não ser mais que o vago, o infinito!

Ser pedaço de gelo, ser granito,

Ser rugido de tigre na floresta!"

(eta nome!)

6 de fevereiro de 2010

Depois de amanhã



Parece que amanhã não acaba....
é um murmurio.. um tipo de esperança que se perde...
um desespero que finda quando se sabe que não...
não é nada disso..
amanhã...

mas parece, parece que amanhã não acaba...
afinal amanhã não chega...
e se não chega é que não é... não há... amanhã...
mesmo a idéia é vaga...
se quebra no primeiro montículo de palavras...

a manhã não pára e se transforma em tarde...
amanhã já é tarde depois do meio-dia..
e a manhã o que vem.. depois da noite...

e o tempo é tonto no meio disso tudo..
sem pretexto ele segue, mudo
e só existe se agnt fala...


o que vem depois de amanhã?



e quem seria quem se amanhã o tempo teima e não vem?

Escrevimagem


quemagem não diz nada... nem nada nem...
a margem de antes na imagem de agora.. e o que fica.. no meio... do nada...
escrever criar imagens.. de pedaços de palavras.. pedaços de pessoas... pedaços de histórias, contadas
quem diz que amaré não está pra peixe....
antes a imagem pedaço de que não se sabe qual que fica marcado não se sabe onde aparece de novo....
a metonimia corre e já distante volta a cabeça mas não o tronco... não dá troco.. só troca... de lugar... assim direto
o que não é imagem?

3 de fevereiro de 2010

Mínimo




Tenho pensado um pouco nisso... a imagem na tela que não é rosto... tlvz resto; do que não se sabe...
Rothko queria uma grande obra.. ele faria um interior inteiro (não que isso seja possivel) de um prédio ou igreja e o que ele pintava em cada quadro, dizia ele, era esse interior, esse interior sem portas ou janelas... 
é um sufoco mesmo... a reprodução dessas obras.. tlvz seja um atentado necessário... mas ainda assim  atentado... nada de pudor...
mas parece que há uma minúcia do olhar.. qndo a gente sabe que ele não toca e não pode ser tocado... e uma minúcia que é quase toque... e que parece que se perde... pq na imagem não há som a não ser o que reverbera em nós... há um grande murmurio de que estariamos nos tornando uma sociedade da imagem.. um certo pavor e um certo fascinio rondam por aí... atropelando esquinas... eu não iria tão longe.. que as imagens ainda falam... qndo elas forem mudas.. bem.. aí o interior de Rothko não será mais imagem...

27 de janeiro de 2010

Ex-gota


Bem, é assim na física as partículas colidem.. daí desaparecem.. daí energia..
Bem.. na verdade não sei bem o que isso quer dizer...
Mas, eles dizem que pode haver outros universos.. pra onde vão as partículas depois da energia..
Quer dizer, outras dimensões de que não tomamos conhecimento.. já que são outras...
Mas como saber se algo mudou de dimensão?
Eles dizem que um pequeno desequilíbrio entre a energia inicial e a criada depois da colisão daria alguma pista....
Como o orvalho...
Se vemos o orvalho..
É engraçado como somos capazes de imaginar.. e imaginar é sempre de um real, de um impossível... é daí que criamos as imagens... e fazemos-la falar.. por nós...
Pois bem.. a imagem... o que vale dela é que
ela se esgota..
Nem adianta.. ela cai.. e aí... e aí quem fala?? quem olha?
a b-olha ex-gota o que botamos nela...
estoura e nos manda embora...

15 de janeiro de 2010

il n'y a pas de opinion


não gosto de textos que começam com definições de dicionário... mas o tema: dar... opinião... é um pouco delicado.. (entendam, não estou falando sobre dar) recorro então ao subterfúgio:


s. f.
1. Modo de ver pessoal.
2. Juízo que se forma de alguém ou de alguma coisa.
3. Adesão pessoal ao que se crê bom ou verdadeiro.
4. Modo como o geral das gentes vêem certas coisas ou dizem julgar delas. (Também se diz opinião pública.)
5. Voto, parecer.
6. Credo político; crença. (Usado também no plural)
7. Infrm. Presunção, amor-próprio


me enamorei de dois pedaços... "adesão pessoal" e "o geral das gentes".. (e não é que podem ser poéticos os dicionários?)


pois é.. essa coisa de dar... opinião... deve ser bem o que se espera de alguém que tem um blog... diria mais que é uma troca... não é? sei lá.. escrevo besteiras aqui e alguns lêem.. ou não.. isso depende também de uma certa aceitação do "geral das gentes" que se acham muito umas.. e com toda razão.. mas enfim é uma "adesão pessoal" ao que o"o geral da gentes" aprova ou desaprova... no caso.. é um tipo de dar.. ainda que isso não esteja muito em voga, ou não nesse sentido...

afinal, o que é, hoje, dar?

é engraçado que isso se atribua assim ao feminino, parece meio gratuito mas deve haver alguma razão.. esperasse que os humanos sejam arrazoados.. ou nem tanto..

que se dê... opinião... não é tão simples assim...

afinal.. no final ela continua sendo de quem deu.. não é?

não sei.. acho que tudo que posso dar.. é algo como uma dúvida...